Hoje em dia, assistimos a uma mudança clara na forma como os colaboradores olham para o mercado de trabalho.

Basta recuarmos alguns anos no tempo para percebermos que o objetivo principal, de maior parte dos trabalhadores, era essencialmente ter um salário no final do mês. Atualmente, os trabalhadores em Portugal querem, maioritariamente, estar a colaborar com organizações que:

  • valorizam a qualidade do ambiente interno;
  • reconhecem as suas competências, know-how e resultados, ao mesmo tempo que confiam em si;
  • criam espaço para o envolvimento e desenvolvimento pessoal;
  • promovem oportunidades de crescimento;
  • permitem que se sintam pertencentes e a contribuir para os objetivos da empresa/equipa;
  • criam a possibilidade de relacionamentos mais próximos e menos burocrático com as chefias diretas;
  • auxiliam no equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, mais do que valorizam a remuneração monetária (apenas 12% dos factores que contribuem para a felicidade dos trabalhadores) (Happiness Works, 2018).

Tendo isto em conta, se há uns anos, bastava as empresas investirem no essencial ao desempenho das atividades dos seus colaboradores (ambiente tecnológico – escritório, secretária, cadeira, telefone, computador, software, carro, etc.), atualmente o cenário mudou drasticamente. Hoje em dia, vemos as empresas não só a procurar gerir da melhor forma os seus recursos humanos, mas a competir entre si pela atração e retenção dos melhores talentos, sendo que estes valorizam atualmente aspetos que antes não eram sequer ponderados.

Esta questão corporativa levantou a necessidade de explorar, investir e analisar a experiência interna do colaborador na organização. Aliás, de acordo com as perspetivas da revista Forbes, o ano de 2018 foi marcado pela relevância que a experiência do colaborador tomou no meio corporativo. Ou seja, o ano em que as empresas mais do que competir pela experiência do cliente, estariam a competir pela capacidade de promoverem uma experiência ao trabalhador suficientemente atrativa para captar e reter atenção dos melhores talentos.

Então, antes de falarmos do que nos trouxe aqui é necessário ter em conta que Employee Experience diz respeito

“set of perceptions that employees have about their experiences at work in response to their interactions with the organization.”

(Index do Employee Experience do IBM Smarter Workforce Institute e do Workhuman Research Institute, 2016).

De uma forma simples, Employee Experience é o conjunto de todas as experiências vividas pelo colaborador desde o momento que contactou pela primeira vez com a organização (na fase de recrutamento), até à última interação após terminar o seu trabalho com a empresa.

Este conceito, pela sua abrangência, acaba por ser facilmente confundido com o conceito de cultura organizacional (forma como o colaborador se sente na organização, com o estilo de liderança da organização e com os benefícios ou recompensas que recebe). No entanto, a definição de Employee Experience é muito mais ampla e envolve também os recursos tecnológicos (ferramentas de que um colaborador necessita para exercer as suas funções) e o ambiente físico (temperatura, qualidade do ar, iluminação, limpeza e decoração do local de trabalho, espaço de refeições, ruído interior e exterior, etc.).

O objetivo final de investir na Employee Experience é que os colaboradores se sintam mais envolvidos, integrados e até como parte da organização, acabando por ser mais produtivos. Ou seja, o Employee Engagement.

Este conceito que visa o alinhamento entre os interesses pessoais dos colaboradores com a visão e os objetivos da empresa, vai muito além da promoção de atividades, jogos e eventos. O Employee Engagement impulsiona também o desempenho individual e a produtividade da organização.

Assim, este aspeto que até há poucos anos era algo ao qual as empresas davam pouca atenção, hoje toma uma posição fulcral na gestão de recursos humanos. Uma empresa que tenha uma estratégia eficaz de Employee Engagement tem uma maior possibilidade de reter os melhores colaboradores, para além de continuar a ser altamente atrativa para novos talentos.

Isto tem de tal forma impacto, que notamos haver cada vez mais empresas a destacar um elemento da sua equipa de recursos humanos para se dedicar exclusivamente a esta questão. Aliás, Bersin da Deloitte diz-nos até que

“employee engagement has become the top issue on the minds of business leaders, directing us to an entirely new model of management.”

E a sua empresa, como tem investido no Employee Engagement?